Prenúncio de Verão
Em frente ao mar eu sou apenas um ponto de interrogação escondido e com medo da Lua, porque ela tudo vê, mesmo de luz apagada.
Caem das mãos com a singeleza do branco. As palavras. E sussurram de mãos dadas. As palavras e o branco. "Não tenhas medo, juntos seremos para sempre crianças.".
Em frente ao mar eu sou apenas um ponto de interrogação escondido e com medo da Lua, porque ela tudo vê, mesmo de luz apagada.
Os únicos seres vivos que poderiam estar a meu cargo neste preciso momento seriam flores de vaso, mas as últimas que me restam são as do pijama de Inverno.
Engoliu o céu, então, tudo em nuvens - algodão suspenso por fios de prata.
Será essa obstinação da agulha do gira-discos, que me faz voodoo no destino à chegada da faixa 12.
"Había una vez una princesa que vivía en un palacio muy grande. El día en que cumplía trece años hubo una gran fiesta, con trapecistas, magos y payasos. Pero la princesa se aburría. Entonces, apareció un enano, un enano muy feo que daba brincos y hacía piruetas en el aire. Fias nuvens ao sol-pôr, carpideira.
Bem branco, plissado,
Domingo à tarde colado ao doce de morango no pão. Congelava-se o tempo nas 3 da tarde. Vento calmo.
Vais ser sempre a vidraça de comboio que me trespassa os dias em quilómetros por hora. Ou o meio metro de nó sem corda que prende os limoeiros à flor.Pois eu digo que vou arregaçar esses punhos de linho bordado e procurar cada uma das pérolas desse meu colar desfeito.
Por esses jardins suspensos e submarinos estendem-se pradarias bicolores de coral, perfeitas esmeraldas chovidas e quase enterradas em bolsos de pirata que escorrem crime. A estibordo ou a bombordo, o Destino trava-se sempre à bolina e em sapatos de cristal que se afundam de branco. Enquanto o senhor capitão não interrompe os marinheiros com as alvíssaras do gajeiro, a tripulação inteira afoga-se no cheiro das sereias roucas que adormeceram na hora do banho.
A rapariga que mora na porta verde só queria saber chorar o que não se diz a ninguém. Atravessar em passos de cal viva esse muro de lápis que morre na última sílaba do que se julga não escrito. Meia certeza diz-lhe que a toalha branca e estendida na mesa espera pelos pássaros migalheiros. Ontem esperneei os cabelos à beira do mar e ri-me tresloucadamente de mim mesma, descalça.